domingo, 27 de junho de 2010

Proteína C-reativa ultra-sensível na avaliação de risco cardiovascular por doença aterosclerótica


O que é a proteína C-reativa? E a proteína C-reativa ultra-sensível?
A proteína C-reativa (PCR) é um marcador de fase aguda que se eleva especialmente em processos inflamatórios e infecciosos. Nos métodos de análise rotineiros, o limite de detecção da PCR é de 0,4 a 0,5 mg/dL, enquanto que se empregando os métodos ultra-sensíveis é possível detectar níveis de PCR a partir de 0,09 mg/dL.
Para que serve a PCR ultra-sensível?
Estudos recentes mostraram que mesmo um discreto aumento da PCR é um fator de risco cardiovascular independente de outros já conhecidos, como os níveis de colesterol total e frações, apolipoproteína B-100 e homocisteína. Na avaliação de risco de doença cardiovascular, valores de PCR inferiores a 0,3 mg/dL são considerados satisfatórios, enquanto que níveis elevados se associam a maior risco cardiovascular. Esse fato está de acordo com as evidências recentes de que, ao menos parcialmente, a aterosclerose é uma doença inflamatória.
Quem pode se beneficiar da dosagem da PCR ultra-sensível?
A dosagem da PCR por método ultra-sensível pode contribuir tanto para a identificação de indivíduos assintomáticos com risco de doença cardiovascular por aterosclerose, como para o acompanhamento de pacientes que já tenham doença cardiovascular. Com essa finalidade, estudos recentes mostraram que a PCR é útil tanto em homens como em mulheres a partir da meia idade. Outros estudos têm mostrado que a PCR tem também bom valor preditivo na determinação de risco de eventos vasculares futuros em pacientes com síndromes coronarianas agudas, tais como infarto do miocárdio e angina instável, em indivíduos com angina estável e em pacientes que foram submetidos a colocação de stents coronarianos.
Quais outras condições clínicas podem alterar os níveis da PCR?
Os níveis séricos da PCR são relativamente estáveis, exceto na vigência ou logo após um episódio de inflamação, de natureza infecciosa ou não. Nesses casos, a dosagem com finalidade de avaliar risco de doença aterosclerótica só deverá ser feita de duas a três semanas após o término do episódio inflamatório.
Qual a relação da PCR com outros fatores de risco cardiovascular?
A PCR ultra-sensível tem um efeito aditivo quando combinada com o colesterol total e a relação colesterol total/HDL-colesterol, aumentando consideravelmente o valor preditivo desses testes.
Que medidas podem ser tomadas quando, na avaliação de risco cardiovascular, se detectam níveis superiores a 0,3 mg/dL de PCR?
Estudos preliminares mostraram que se pode considerar o uso de medicamentos como a aspirina para pacientes com níveis elevados de PCR. Existem ainda evidências de que a PCR possa ser usada para monitorar um possível efeito anti-inflamatório de medicamentos usados para inibir a síntese de colesterol, da família das estatinas. No entanto, uma vez que a relação entre PCR elevada e risco cardiovascular aumentado é recente, não há até o momento diretrizes estabelecidas quanto a melhor conduta frente a uma PCR persistentemente elevada.
Referências bibliográficas
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